Beije-me intensamente

Imagem retirada do WeHeartIt

Meu corpo anseia por um toque que estremeça cada um dos meus desejos, por um sussurro que faça meu coração latejar, assim como o resto de mim. Aspirando por uma bagunça nos lençóis e não em mim, exigindo um beijo que dispare não só o coração, como agite a alma. Eu preciso sentir.

Exausta de relações vazias, e não digo apenas de sentimentos, contudo, de uma vontade imprescindível do outro. Sinto falta da adrenalina de uma conexão surreal, da voz que arrepie os pelos da nuca e deixe a respiração ofegante. Você não entende que eu sou feita do agora e que sinto à flor da pele? Sem cantadas baratas e sedução de quem não sabe o que quer, eu gosto de quem sabe jogar.

Observe-me fugir de incertezas e metades: somente os inteiros se atraem.

Só que não


Ele vem aqui ler meus textos e entrelinhas e ilusoriamente enxerga-se neles, acredita mesmo que é dono de cada verso. Fala alto quando está perto de mim e conta algumas piadas que nem sempre fazem sentido: seus olhares de esgueira não negam o quanto ele deseja que eu o note. Deve mesmo sonhar que eu sou como todas as outras.

Tá acostumado a jogar esse sorriso de canto e o cabelo para trás, mas, para seu azar, sou blindada a flertes baratos. Não é que eu não admita que sua íris é um oceano que eu quero mergulhar e como quero seus lábios me fazendo-me delirar, é só por isso que o deixo fantasiar que não conheço seu tipo. Ah, mas ele pensa que é o centro do meu universo

Só porque tem um beijo que é uma delícia e eu me aninho em seus braços por um cafuné no meio da tarde, presume que estou caída por ele, quando, na verdade, quem tem que cair na real não sou eu. Você sabe o que dizem, bons jogadores perdem por acharem que só eles sabem jogar. Deixo ele supor que cada palavra que escrevo é dele. Deixo ele brincar de ter seu espaço em mim. Deixo-o entrar e se bagunçar. Só não o deixo vir tentar, porque não vai ser bom.

Texto inspirado na música "Só que não" de Circo de Marvin.

Sobre você e eu e o tempo entre nós


Eu já não me vejo como antes via.

Eu deixei de ser aquele 'eu' de quando você passava por aqui. Deixei de ferver o café segundos antes de ouvir o som da sua buzina. Deixei de conferir o excesso de maquiagem no metal na colher de chá. Deixei de verificar se aquela calcinha era a mesma de antes de ontem e eu havia usado uma cor diferente. Deixei de cerrar as unhas em formato oval, porque você dizia que assim os arranhões marcavam mais. Deixei de usar cinta-liga só para te dar o prazer de passar os lábios famintos por ali. Deixei de limpar a mesa às pressas porque você telefonou de última hora e tinha discutido com o seu pai hoje cedo. Deixei de correr na padaria para comprar aquela torta de nata só por te ouvir dizer que ele não entendia nada sobre ter um sonho e enquanto isso você devorava uma fatia atrás de outra, dizendo "é esse recheio que me engorda, não gosto do recheio" e no final você lambia os dedos sujos de glacê. Deixei de esconder as piolas de cigarro num copo de geleia atrás do jarro de mesa para não ouvir você dizer que eu ando fumando muito e esse vício desgraçado estava acabando comigo. Deixei de escrever bilhetes e enfiá-los no bolso da jaqueta de couro que você pendurava no basculante da cozinha. Deixei de dormir e acordar sorrindo porque seu corpo partia mas as lembranças me devoravam em sonhos e flashes de memórias recentes. Deixei de usar aquele perfume de flor-de-cerejeira às sextas-feiras à espera de uma visita inesperada. Deixei de roer as unhas relembrando das discussões após bebermos excessivamente com estranhos num bar de avenina. Deixei de usar preto nos jantares e idas ao teatro. Deixei de cortar o cabelo daquele modelo curto que você dizia exaltar os meus traços e realçar-me as íris achocolatadas. Deixei você e deixei antigos hábitos.

Você nunca soube. 

Eu nunca gostei de café porque ele me causa insônia e aquela maldita buzina assusta o meu cachorro. Eu nunca me senti bem usando maquiagem e aquele batom coral era o que eu mais detestava. Calcinha preta me aquece em demasia e eu tinha que lavá-las o tempo inteiro porque aquilo te excitava. Eu nunca gostei de unha comprida e sexo violento nunca foi a minha praia: eu te dava de quatro porque você gostava. Cinta-liga me dá estria e eu tentava disfarçar que as tinha por causa do jeans apertado só para te ver de olhos alagados ao se deliciar com ela. Eu nunca achei que você estivesse certo em recusar as ofertas de emprego do seu pai e maltratá-lo daquela forma é como ser um mimado mal agradecido. O recheio da torta só tinha limão e nata: você engordava porque duas fatias não bastava. Eu nunca tive um vício maior do que você e aqueles cigarros vagabundos não eram quase nada comparados ao tremelicar que eu sentia quando não o via. Eu nunca disse nada mas escrevia aqueles bilhetes só para você não esquecer que me tinha nas mãos e não ter sido agradecida me fez partir. As insônias sumiram desde que você se foi e eu nunca gostei de sorrir feito uma menina enamorada. Eu nunca gostei de me embelezar tanto para te esperar e fingir que não me incomodava com os seus atrasos. Eu nunca quis contrariar mas era você quem não sabia beber e cismava que o garçom estava de olho nos meus peitos. Eu nunca reclamei do teatro porque você amava aquele espetáculo cafona mas eu preferia um cinema em casa. Eu nunca deixei crescer mas aquele chanel improvisado aumentava as minhas bochechas e eu me sentia como uma garota do primário. Eu nunca quis ficar sem você, mas prefiro ficar comigo.

O blog de cara nova e uma escritora incrível

Olá, cafeinados! 


Faz um bom tempo que a gente não bate um papo, né? Admito que senti saudades. E "qual é boa?", você deve estar se perguntando. A resposta é bem simples: eu. Brincadeirinha. Como podem ver, estamos com template novo, responsivo, bem mais bonito, com um ar mais sofisticado (?) e um amorzinho. Então, resolvi que seria interessante dar as caras para compartilhar com vocês essas mudanças no nosso Café.

Temos agora também uma colaboradora maravilhosa que eu sei que vão amar tanto quanto eu. Chris tem dezoito anos, é estudante de letras e é tão intensa quanto eu e você. Confesso que não pensava em dividir esse cantinho dos bastidores com outra pessoa, no entanto, depois de tantas reflexões (lê-se "ficar deitada no chão em posição de estrela pensando na vida"), cheguei a conclusão que era apenas medo? Acho que sim. No fim das contas, apaixonei-me pela ideia e nos joguei de cabeça nessa nova fase!

Espero que compartilhem dessa emoção comigo (sim, eu estou bem empolgada!). Vocês são demais. Obrigada por tudo.

Mil beijos!