/*----------COMEÇO----------*/ /*--------------- FIM -------*/

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Snuff


O clima não está dos melhores. Contudo, devo dizer que a brisa gelada e o céu esmaecido dão-me um certo conforto em relação ao desalento que me encontro, como se estivesse tudo bem a chuva cair lá fora e as lágrimas aqui dentro. Qualquer dor não incomoda mais, as aceitei como parte de mim agora, porque é tudo que eu sei sentir. É como eu me sinto viva, ou o oposto disso. Porque todos temos vazios e é assim que eu preencho os meus.

Prometi não me sentir mais assim, prometi te procurar para evitar atitudes estúpidas. Mas algo que você devia saber é que eu não sou de cumprir promessas. E a consternação é algo que eu carrego, desculpe, não dá para mudar algo tão intrínseco. Eu tento acreditar quando você declara seu amor, quando me conta palavras doces e diz sentir minha falta, mas nem sempre eu consigo. Desculpe por isso também, não é sua culpa minha falta de fé em mim ou em qualquer coisa.

Estou farta de escrever sobre como não me encaixo em lugar algum. Como todos os dias eu me sinto menos conectada a qualquer coisa, exceto você. [Sempre há um "você".] Sempre há juras de amor que não duram. A cada hora, um fio a menos me prende aqui. E com "aqui" eu não quero dizer apenas onde estou agora.

A falta de motivos sólidos para tamanha angústia só aumenta o paradoxo. Torna-o mais intenso. Quanto mais eu me afundo, mais difícil fica sair. Eu só queria sentir um pouco menos.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Fica

Ele tem a barba rala nas laterais e deseja que elas cresçam mais rapidamente, um cavanhaque comprido e o bigode simétrico. Olhos negros, a pele pálida. Cabelos desgrenhados, quase sempre cheios de gel, a fim de domá-los, embora eu goste muito mais quando ele luta para mantê-los fora da testa e ri enquanto o observo fazer isso. Seu sorriso me faz sorrir e quando sua íris repousa em mim, é como se pudesse ler cada pedaço meu, decifrar cada enigma e me montar como um quebra cabeça.

E talvez ele possa.


Seu interesse em mim me fascina, me instiga. Sua voz me desconcentra das atividades mais simples e quando ele canta, ah, quando ele canta, o vazio enche-se de cor. Eu o conheço. Eu o sei por inteiro. Seus anseios, seus medos, seus sonhos, anjos e demônios. Podemos ficar horas calados enquanto nossas almas se conversam.

Nos conhecemos de dentro para fora. Nos encantamos pelos nossos monstros antes mesmo de saber nossos rostos. Nossa história daria uma trilogia mais intensa que os romances do Nicholas Sparks. E quanto mais fugimos para longe um do outro, mais nossos polos opostos se atraíram. Se ele pudesse se ver como eu o vejo, se apaixonaria por si mesmo também. 

Eu sinto sua falta antes mesmo de dizer adeus. A saudade do abraço que nunca demos quase dói. Eu o amo.

domingo, 5 de junho de 2016

Maybe I'm too busy being yours to fall for somebody new

A morena de olhos incrivelmente negros vestiu o sutiã sem maiores dificuldades, enquanto o rapaz na cama assistia atento a cada movimento. Seus dedos habilidosos vestiram a meia fina e preta com cuidado e seu olhar cruzou rapidamente com o dele antes de desviá-lo, como se o que acabara de fazer fosse algo proibido, perigoso. Quando o zíper do vestido azul marinho foi fechado até o fim, sabia que não havia mais como ser adiado.

— Eu não vou voltar, você sabe. — Ela declarou, a voz firme, uma súplica quase imperceptível.

— Você já disse. — O mancebo engoliu em seco, virando-se para observar sua estante, do lado oposto, sem preocupar-se em esconder sua insatisfação.

— A gente não pode continuar fazendo isso. Ou a gente tá junto ou não tá. — Respirou fundo, numa visível (e frustrada) tentativa de manter-se indiferente.

O rapaz sentou-se com os pés para fora da cama, de costas para ela. As marcas vermelhas estavam por toda suas costas, grandes arranhões que desciam pela coluna e desenhavam o desejo em seu corpo, resultado do final de semana que passaram juntos. Era ainda possível notar uma pequena mordida abaixo da orelha, antes de levantar os braços e vestir a blusa preta, que harmonizava incrivelmente bem com sua pele cor de chocolate.

— Deita aqui. — Virou-se para encarar os olhos da mulher de pé no seu quarto.

— Eu vou embora. — Retrucou sentando-se do outro lado. 

— Tudo bem, você pode ir pela manhã. — Sua mão escorregou pelos cabelos da mais nova e parou em sua nuca, fazendo suas pupilas tremularem por um instante. 

— Eu odeio você. — O empurrou com o punho, antes de puxá-lo para si com força.

Os olhos abertos, as testas encostadas, respirações ofegantes. Sabiam onde aquilo iria terminar e não tentariam impedir-se. 

— Sua boca diz uma coisa, mas você por inteiro grita outra. — Ele sussurrou, puxando com cuidado os longos fios de cabelo em sua mão, arrepiando-a.

— A gente tem tantos pontos finais que viramos reticências. — Suas unhas desceram pela gola da camisa preta que ele vestia.

— Sua poesia me excita. — Ele sorriu, antes de morder o lábio da morena, que sorriu de volta. — Eu só quero te pedir uma coisa.

— Fala.

— Fica.

— Essa noite?

— Pra sempre.

Depois de escrever, percebi que se encaixava tão bem com a música Do I Wanna Know, que "roubei" um verso para o título. Espero que gostem e, como de costume, perdoem o sumiço. PS: se alguém tiver uma imagem legal que combine com o texto e quiser contribuir, vai me deixar muito feliz s2

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Os porquês

dupla personalidade é pouco para ela
que é bomba sem pavio
piso escorregadio

carrega um coração cheio de amor
ofuscado pela raiva
vazio
consumido pela carência
com muitas ambições
e nenhuma vontade de lutar

desistiu
de tanto tentar
se esvaiu
se é coragem, eu não sei

tinha um lar
mas não sentia-se em casa
tinha um corpo
contudo
jamais sentira sua alma

decidiu 
por si só 
que não faria falta
e dormiu
enfim,
paz.

Mais um pra você

Mudei o cabelo outra vez, você soube? É que vez ou outra a gente precisa mudar por fora para alcançar a mudança aqui dentro, você me disse um dia, mas nem deve lembrar. Todavia, você veio e ficou tanto tempo que mesmo trocando o visual um milhão de vezes, descobri esses dias que aceitar sua partida não tinha nada a ver com meu cabelo.

Eu te vi naquela última noite como eu nunca o vira antes. Nos despedimos e desatamos os nós que me prendiam a você da pior forma possível, no entanto, completamente necessária. Eu chorei no seu ombro como de costume sempre que bebemos juntos, confessei o pouco que tinha guardado e que estava me sufocando. Embriagada, engatinhei pelo chão com sentimentos mais lancinantes do que meus joelhos. Sua resposta doera mais que minha queda.

Você queria cuidar de mim e eu só queria que me deixasse em paz, que se fodesse. Porque eu estava fodida. Foi como nos pesadelos angustiantes que me fazem despertar suando frio e asfixiada, mas infelizmente eu já estava acordada. Então fui embora no dia seguinte como se não fôssemos mais do que meros conhecidos, como se não soubéssemos decifrar um a o outro mesmo sem dizer uma única palavra. 

De alguma forma foi bom. Eu nos vejo de outra forma agora, talvez leve um pouco de tempo até que você me desculpe - mais uma vez -, contudo, sinto-me muito mais em paz depois que toda essa carga foi arrancada de mim, agora que está tudo claro entre eu e você (não mais "nós"). Foram tantas idas e vindas que foi árduo identificar o final quando ele chegou, você compreende?

Eu me mudei. Não troquei de endereço, não saí do meu quarto, tampouco do apartamento. Peguei meu pedaço de volta, aquele que estava contigo. Me preenchi novamente e transformei-me mais uma vez.

sábado, 21 de maio de 2016

Efeito Borboleta


Eu pensei em mil coisas para voltar na cara de pau para vocês, escrevi alguns rascunhos e odiei todos. Então vamos começar com um pedido de desculpas: desculpem-me *insira corações rosinhas aqui*.

Sobre o Efeito Borboleta vocês já devem conhecer a teoria: "Segundo a cultura popular, a teoria apresentada, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo." (Wikipédia) No entanto, a minha teoria é que depois de ver uma borboleta ela te causa uma sensação tão agradável que o efeito da endorfina dura algumas horas ou até mesmo um dia inteirinho!

Mas hoje não tem textão, nem crônica, nem mais um dos meus mimimis (eu ouvi um amém?). Não! Hoje eu vim compartilhar com vocês essa minha nova paixão da vida: borboletas! Minha faculdade, inclusive, é repleta delas, juro. Lá tem muito verde, árvores e flores; caminhando para lá e para cá é impossível passar três minutos sem se deparar com essas lindinhas voando e espalhando polem por aí.

É claro que eu não resisto e saio clicando tudo (uma dessas vezes passou um cara perguntando se eu fazia biologia... Não moço! EU SOU DE EXATAS, EU JURO!). Então teve uma foto que me apaixonei e achei que seria legal disponibilizar para Wallpaper para o caso de alguém gostar e quiser usar também. 

Para salvar em alta definição clique aqui.

Espero que gostem. Prometo que vou dar meu melhor para manter o Café sempre quente e o papel sempre recheado de palavras. Estava morrendo de saudades! Mil beijos!