Por: Kênnia C. Arnaud | 0 Comentário(s)

Sempre haverá uma parte de você em mim



“Querida Catherine,

Estou aqui pensando em tudo pelo que quero me desculpar. Toda a dor que causamos um ao outro. Tudo o que coloquei em cima de você. Tudo o que eu precisava que você fosse, ou dissesse.
Sinto muito por isso.
Vou te amar para sempre, porque crescemos juntos. E você me ajudou a ser quem eu sou. Eu só queria que você soubesse que sempre haverá uma parte de você em mim. E sou grato por isso.
Seja lá quem você se tornou, onde quer que você esteja no mundo, estou te mandando amor. Eu apaguei o final.

Com amor,
Theodore.”

Esta é uma carta escrita após um longo tempo desde o rompimento entre Theodore e Catherine. É uma carta que representa a personificação de um término amadurecido. Depois de tantos dias envolvido em dor e melancolia, ele resolveu deixá-la ficar, pois entendeu que arrancá-la a pulso seria tempo perdido. 

O que Theodore fez foi extremamente difícil quando se ama alguém e não se imagina sem ele. Theodore sabia que, o certo a se fazer seria apagar todas as memórias de Catherine e esquecer cada partícula de amor que ainda o unia com o fantasma dela. Ele ouviu alguém dizer que eles já estavam separados há tanto tempo e não fazia mais sentido se apegar a um passado, que nada mais é, do que um delírio que contamos a nós mesmos.

O que estou querendo dizer, é: dificilmente será recompensador ouvir o conselho de alguém que não é parte da história. Só você esteve ali, só você ouviu cada queixa, só você construiu cada plano, só você sentiu cada toque, só você foi presente, só você. Quem, melhor do que o observador real desta história, para decidir qual desfecho dar para ela? 

Evoluímos para uma geração de seres ansiosos e complexos. Estamos sempre perdidos em algo que sequer aconteceu. O sofrimento é uma antecipação que ainda não chegou. Finalmente nos tornamos uma versão mais triste e vazia do Universo. Estamos dispostos a aceitar qualquer relação efêmera que supra os nossos vácuos interiores. O medo da solidão é vasto e danoso, por isso, seguimos com as nossas vidas medianas, abraçando um estado solitário, que muitas vezes se une a dois. 

Quando encontramos o amor dentro de outra pessoa, uma luz se acende dentro de nós. Uma vez acertado por ela, será irreversível até para os mais reclusos. Não se sente aos poucos – como dizem os realistas –, sente-se de uma vez; como uma explosão que provoca claridade. Depois os feixes caem sobre você e te cobrem com uma sensação embriagante de dependência emocional.

Há uma essência que conecta você a outro ser, gerando uma confusão de dores e curas. Depende-se da cura, não de dor; o amor é dependência, porque você descobre que a liberdade de se sentir preenchido te mantém preso de um jeito estranhamente livre. Quando você parte, deseja logo voltar; quando você se distancia, deseja logo se juntar. 

Às vezes, só isso não basta. Uma hora, essa relação parece trucidar tudo o que a luz clareou e você se vê obscuro na sarjeta. É uma coisa ruim que acontece e não é o fim do mundo, embora você possa achar que todas as esperanças se acabaram ali. É hora de se despedir de uma gama infinita de emoções e momentos unilaterais. É hora de guardar somente uma lembrança boa do que vocês já foram em um outro tempo passado.

Deixar ir, é uma tarefa difícil de se realizar. Por isso, eu digo que é mais fácil permitir que fique. De um jeito que não doa mais; ficar com um arquivo de uma história que um dia foi dia de sol, noutro, o inverno neutralizou. Permanecer dono de uma lembrança que agora não machuca mais, pois agora você entende que até para se eternizar, necessita-se findar.


“Seja lá quem você se tornou, onde quer que você esteja no mundo, estou te mandando amor.”

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