Por: Rebeca Maynart | 0 Comentário(s)

O feminismo liberta

sexta-feira, maio 01, 2015
("Você é uma garota, portanto aja como uma"
Oh, desculpe, eu não percebi que minha vagina veio com um manual de termos e condições.)

Minha intenção com esse texto é tentar mostrar que não importa quem você seja, ninguém pode te dizer como você deve parecer. Pode soar meio auto ajuda, e talvez seja, mas você já se parece com você mesmo e não há nada mais maravilhoso do que isso.

São tantos pontos a serem tratados que ao menos sei por onde começar. Contar essa história cheia de nuances, subidas e descidas numa montanha russa emocional que me levaram a esse movimento fascinante. Um pouco de calmaria em meio a tempestade, eu diria. Um pouco de paz em meio a auto destruição, para enfim, encontrar-me. 

Começo pela relação de amor e ódio com o espelho, algo que trago desde tão nova, e quando tudo que devia passar pela minha cabeça era “nada”, passava-se muita coisa. Encurralada pela ditadura da beleza, num padrão que não me cabia e que sempre havia (e há) alguém para me jogar isso na cara todo o santo dia. A diferença, hoje em dia, está na importância que dou a isso, (quase) nenhuma. 

O tempo todo gritam-lhe o que é preciso para ser linda, aceita, desejada. As revistas pregam belezas inalcançáveis, formam conceitos entre o que é “certo” e “errado” nas formas de se vestir, nas músicas que você escuta, no seu vocabulário e sobre mais qualquer coisa, até o ponto que não haja mais controle sobre seu próprio corpo. Ou você é daquele jeito, ou você é estranha e não adequada. Ser diferente não devia ser ruim. A diferença é algo bom, é bonito, admirável.

Desde muito novas escutamos que meninas não devem falar palavrão, que mulheres são divididas em duas classes: “para casar” e “para comer”. Somos ensinadas a sermos sempre delicadas e agir “como uma garota” deve agir. Por que não somos apenas mulheres? Por que tantas prisões? Tantas diretrizes? Por que repetir tantas vezes para alguém que ela está magra demais, gorda demais, ou que o cabelo dela devia ser de tal forma? E se eu quiser falar “velho”? E se eu gostar das minhas curvas do jeito que elas estão? E se eu gostar do meu cabelo bagunçado? Seria errado querer ser quem eu sou?

Em algum momento da minha vida eu cedi a pressão, assim como tantas garotas, mulheres, me afundei nas palavras perversas e caí na lábia dessa ditadura. Tão discreta, por debaixo dos tapetes, atirando para todos os lados e antes que você perceba, já fora atingido. Em outro instante, no entanto, embora tenha demorado, encontrei minha libertação, no feminismo. Encontrei-me onde não há tarjas, etiquetas, moldes, onde eu posso ser o que eu quiser. E devia ser assim em qualquer lugar. Um movimento onde, enfim, aprendi a me amar e ajudo outras garotas a se amarem também.

O movimento não é sobre ser contra pessoas, ou produtos de beleza e revistas. É sobre lutar contra os efeitos que isso causam. Libertar as pessoas, homens e mulheres da prisão de ser perfeito e de cobrar do outro a perfeição. É sobre inúmeras tantas outras coisas, mas essa é a maior parte de mim, minha luta diária, a auto aceitação. 

E não devia ser tão difícil assim, sabe? Afinal, o que é o corpo senão o casulo da alma?

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