Por: Kênnia C. Arnaud | 1 Comentário(s)

De repente, Adeus



Carta ao destinatário 1.1

— Querido amor que não ficou,

Meu coração agora sangra, os olhos queimam, os meus dedos tremem e o resto de minha alma é um martírio audível. Eu, que nunca encarei despedidas, te escrevo para dar adeus em três parte.

Um:
Perdoe. Não agora, porque agora ouço o seu som através desse véu que se chama "sintonia", e sei que ninguém poderia fazer tanto barulho ao se quebrar como você faz. Estou fazendo você se partir, eu sei.
Querido amor, saiba, enfim, que enquanto você sente tudo virar pó, há muito eu já tenho me estilhaçado por nós dois. Eu tenho nos visto virar algo brutal, sanguinário para a alma, e amores violentos nunca me fizeram bem. E o mais insano, é que eu gostava da sua ternura. Quando ela se tornou o meu maior pavor? Eu perdi você de mim e por isso esse parágrafo se chama perdão.

Dois:
Não tente lutar por isso. Desista. Não se pode salvar tudo, quando você vai entender? Quando você vai abrir mão do que te aperta como nós? Uma vez você me disse que a beleza do que tínhamos estava na similaridade de nossas sensibilidades. Eu acho que você estava errado e só massacramos uma à outra. Eu te olho com olhos de fera ferida, você é como um pássaro recém caído do ninho. Nós nos ferimos, como pode haver beleza nisso?

Três:
Num futuro próximo, quando os nossos sonhos forem destruídos pelas memórias que você irá construir com um novo amor, quero que se lembre daquilo que agora já não pode fazer por mim. Espero que você saiba e queira se doar, espero que não o deixe a sós quando ele mais precisar de você. Não faça as mesmas promessas que não poderá cumprir, a vida é um esboço cinza e palavras não realizadas podem sequelar. Seja presente para ele, dê bom dia todos os dias. Ele precisa disso mais do que você imagina.

1, 2, 3...

Prometa que saberá viver sem mim. Eu prometo tentar não te sentir de vez em quando, quando o sol brilhar demais e os raios me trouxerem você.

Remetente: aquela que se quebrou para não ser quebrada.

Carta correspondente 1.2

— Olá, você. Não sei ao certo qual nome devo te dar no momento.

Sei que eu não deveria estar te escrevendo. (Como, diabos, se despede de uma despedida?) Serei breve, minuciosidade sempre foi característico de você, jamais de mim. E sei que mais uma vez minhas palavras para você não vão passar de palavras.

E como eu me esforcei que fosse mais do que isso!

A verdade é que eu me esforcei demais, em absolutamente tudo.

Me esforcei para fazer você ficar. E ver o mundo sem a escuridão que te persegue. Te fazer sentir, apesar de ser algo totalmente impossível para você. Pelo menos é o que eu acho, agora.

Também acho que é melhor encerrar esse escrito por aqui. Não há mais rosas, canções, notas nesse maldito violão que possam mudar alguma coisa.

Lembro claramente de você ter me dito diversas vezes que eu não sabia te escutar. Mas dessa vez você me conseguiu fazer ouvir. Eu vou embora.

Sinto muito por não ter conseguido, seja lá qual fosse o prêmio. Mas claramente se o prêmio era estar com você, esse privilégio agora me foi arrancado deixando meus dedos a sangrar.

Tenha uma boa vida.

Do seu, aparentemente, estranho.

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