Por: Rebeca Maynart | 0 Comentário(s)

Sobre todos os garotos que já amei

terça-feira, fevereiro 12, 2019

Tomás foi meu primeiro amor — e beijo. Conhecemo-nos na escola, quando eu era demasiadamente esquisita e ele tímido em igual proporção. Seus amigos riram quando lhes contou da sua queda por mim e, do outro lado, minhas amigas tentavam convencer-me a esquecê-lo. O que, evidentemente, não funcionou, uma vez que, em algum momento das férias de natal, nossas ligações tornaram-se rotinas noturnas de horas e horas ao telefone confidenciando nossa bobagem primaveril. Meses mais tarde, Tom pediu-me em namoro com tal romantismo que nenhum futuro pretendente poderá alcançar (e não espero que o faça). Inevitavelmente, nosso relacionamento definhou e, depois de trinta e dois meses, desfez-se em lágrimas.

Jacob foi minha maior perda. Nosso encontro de almas aconteceu de forma mais imprevisível que um bilhete vencedor de loteria mas, de forma nenhuma, acidental (o escritor de destinos que desenha nas estrelas uniu nossos caminhos naquela encruzilhada). Sabíamos que estávamos fadados a devastação e não queríamos evitá-la. Antes do fatídico e pungente naufrágio no oceano deste amor, entretanto, quebrei ainda dois corações. Diante disto, conclui-se que o carma sempre cobra seus devedores e, desgraçadamente, eu estava engolfada em dívidas. A Carlos e Miguel, meu sincero pesar.

Ele era mais velho que eu uns oito anos, tinha barba, uma banda de heavy metal, um diploma em psicologia e sua vida era uma aventura que eu irrevogavelmente precisava viver. Fui cento e dezessete porcento sua e jamais serei de alguém novamente. Jacob sabe que estar comigo desperta a melhor parte de si e também o seu pior — e é recíproco. Portanto, depois de liquefazer-me em seus braços, ele foi embora e, com cartas abarrotadas de desculpas fajutas e esperanças vazias, sufocou-me com ausência.

Fernando foi meu segundo namorado, quando eu jurava que jamais apaixonaria novamente. Hoje, nossas memórias parecem um borrão de risos gostosos, carinho intenso e um fim de semana na roça de meu pai — o que considero nosso melhor momento juntos. Presumo que precisávamos esbarrar no outro e sou grata pelo que crescemos juntos. 

Tomás nunca foi embora, no entanto. Conquistou o posto confuso e caótico de meu melhor amigo entre beijos e conselhos. Pelo menos uma vez ao mês eu sonho com o Jacob e não há um dia que passe e que eu não sinta a sua falta. Hesitante, questiono-me se tomei a decisão certa fugindo do que quer que Carlos e eu estivéssemos construindo. Teria eu feito algo diferente se conhecesse estes capciosos epílogos? O que acontece, afinal, se você teve o amor da sua vida nas mãos e deixou-o escorrer como areia pelos dedos? 

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