Por: Rebeca Maynart | 4 Comentário(s)

Minha versão de você


Eu te projetei e me apaixonei pelo seu personagem. Eu me ceguei e, com altos graus de miopia, proibi-me de enxergar qualquer contradição na minha fantasia. Eu te coloquei numa caixa de vidro e convenci a ninguém, além de mim mesma, que eras frágil. Eu te vulnerabilizei no meu delírio e desfiz todas as minhas defesas para o seu deleite. Eu vislumbrei todos os seus ângulos viscerais, mas só guardei aqueles que me satisfaziam. Eu me enganei inconsequentemente, pois esse espetáculo dramático era mais emocionante que sua falsa partida.

Eu te convido novamente todas as vezes para esse labirinto e você sempre vem. Eu te vejo rasgando meus roteiros e enraizando-se cada vez mais fundo na minha história, no entanto, não posso evitar. Eu dou as cartas e invento um paralelo em que você não joga melhor que eu, mas eu sempre perco, porque você aprendeu a blefar. Eu dou vereditos e você ignora todos eles, descobriu que não fazem sentido algum.

Eu deixo você me trancar dentro da nossa fraude mutuamente consentida e impiedosa. Eu finjo que não conheço seus truques e você encena que não sabe o que te espera. Eu mantenho minha mentira mais descarada: eu não te amo.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. aaaaaaaaaaa que saudade de você.
      Uma palavra que vale mais que mil comentários.
      Lindo, responde meu comentário no post de las vegas pq tem qse dois meses já e todo dia eu olho p ver se tem resposta

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    2. EU RESPONDI NO MEU CORAÇÃO, ME DESCULPA HAHAHAHAH
      Respondi!

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