Por: Rebeca Maynart | 5 Comentário(s)

Bella Adormecida


Faz muito tempo desde a última vez que eu cuspi os nós que entalaram minha garganta.

Faz algum tempo desde que eu soube o que dizer, que ainda lembrava como é escrever. A inspiração vem mesmo de lugares inesperados, nos momentos que não estamos procurando. E algumas coisas simplesmente não mudam, como o fato das madrugadas renderem-me muito mais palavras desgrenhadas do que quando eu supostamente deveria estar acordada. 

Estragar as coisas somente para provar que pode reconstruir tudo novamente. Será que realmente conheço-me? Você certamente não me conhece. Sobriedade para encarar os dias soa incrivelmente incômodo. Acredito que agarro-me nos dramas, na intensidade e na loucura, mania, são o que mantém-me viva. 

Ou não.

Normalidade é insuportável. Anonimato sufoca. Encrenca seduz. Inevitável. Eu preciso do pulso acelerado, a sensação de estar pendurada por um fio. É um vício. É possível atar-se a dor tão intensamente ao ponto de não poder desfazer-se dela? As linhas que desejo cruzar, os limites dentro de mim que ainda não enxerguei. Os problemas são minha identidade. Sem os transtornos, o que resta? Mais um igual a todos os outros. Sem as cicatrizes, onde iria observar minha força? (pode acreditar que é fraqueza, eu vejo diferente) 

Nunca sinto-me tão forte, preenchida e satisfeita quanto quando estou vazia; assistir aos números diminuírem é realmente excitante. Jogos são meu passatempo favorito e, provavelmente infelizmente, não falo dos de tabuleiros. É engraçado como aqui dentro escondem-se tantos pedaços que quase ninguém percebe, tantas versões que imploram para sair e eu adoraria brincar com elas.

Acordei.

5 comentários:

  1. Primeiro eu preciso comentar sobre esse marcador incrível pra separar os posts de escrita. Afinal de contas, pra quem o ato de escrever precisa fazer mais sentido do que aquele que escreve? Segundo, esse seu texto me lembrou muito um amigo, os anseios, as entrelinhas, os motivos e manias de viver. Tanto que eu tive que mandar mensagem pra ele mandando ele parar o que tava fazendo pra vim te ler. E ele veio, viu?

    Enfim, só preciso dizer que foi lindo e intenso. E que se transbordar através da escrita de vez em quando é necessário pra não ficar doendo com tanta coisa guardada aqui dentro da gente.

    Com carinho,
    Conto Paulistano

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    1. Ai meu deus, perdoa a demora e muito obrigada mesmo pelo carinho.
      Eu amo marcadores assim haha s2 e esse seu amigo deve ser tão legal quanto você!

      Obrigada de novo ❤

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  2. Beca!!! você voltou!! Sempre bom te ter de volta. E esse texto faz uma referência danada com uns dramas que ando lidando. Obrigada pela tua poesia e por sempre voltar. O teu texto faz falta menina!! "Acredito que agarro-me nos dramas, na intensidade e na loucura, mania, são o que mantém-me viva." AHHHHHHHH <3

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    1. Eu fico indo e vindo, você sabe. (não que eu me orgulhe)
      Sério?? Ahhh esses dramas que nos atormentam né? Volta e meia eles vem fazer visita.
      Eu que agradeço por todo apoio que você sempre me dá aaaaaaaaaaaa ❤ maravilhosa
      OBRIGADAAAAAAAAAAAAAA ❤

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  3. Aaaah que saudade de ler algo assim seu! Não sei nem dizer quantas vezes sorri, senti e me identifiquei com esse texto.

    ''E algumas coisas simplesmente não mudam, como o fato das madrugadas renderem-me muito mais palavras desgrenhadas do que quando eu supostamente deveria estar acordada. ''
    Existe momento mais propício? Existe momento mais a gente? Não, não existe. É, basicamente, quando a inspiração começa a reaparecer na ânsia da melancolia pra se transformar em texto. Ou em fragmento. Fragmento da gente. Que vira texto.

    ''Estragar as coisas somente para provar que pode reconstruir tudo novamente.'' Dos testes e provações que fazemos com nós mesmos.

    ''Sobriedade para encarar os dias soa incrivelmente incômodo.'' Desde: sempre. Para: sempre.
    Beca, você é tão eu!


    ''Os problemas são minha identidade. Sem os transtornos, o que resta?'' Eu tenho pensando TANTO sobre exatamente esse tipo de coisa. Acho que por isso me identifico inteiro nesse texto.

    ''assistir aos números diminuírem é realmente excitante.'' Como lidar com esse distúrbio sádico? Ao conhecer alguém, trilhar uma nova vida paralela a isso tudo, é possível simplesmente se refazer? Não ser mais nada disso?
    E, quando digo isso, nem falo se refazer perante ao outro, mas a si mesmo. É possível se enganar a esse ponto? Até que ponto isso é, de fato, enganação ou é real?

    É bom estar e te ver de volta, Beca.
    Todo o meu carinho e sentimento ♥

    Baú de Canto

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