Por: Kênnia C. Arnaud | 1 Comentário(s)

Debaixo de uma fera


Eu sei que você se esforça em compreender o meu jeito meio torto e ansioso de expressar o meu amor,

O meu amor cansado,
O meu amor destinado,
O meu amor lastimado,
O meu amor desajeitado,
O meu amor improvável, o meu amor, que é meu, mas é teu também. É um amor insano. Um amor vibrante e delirante. Posso amar com freios e dosar qualquer jura eterna que eu faça para enlaçar o seu encanto em mim. Posso amar sóbria e sem resquícios de insanidade.

E debaixo de uma fera, há sempre uma tímida bela,
Que arranha-te o colo e beija-te os olhos.
Uma pata mansa,
Um olhar em chamas,
Um desejo que inflama,
Jorra líquidos libidinosos, ao gemer, implorando-lhe, que a deixe devorá-lo de novo.

Posso ser o amor que você sempre sonhou. 
Mas, amor...
Nem você...
Veja só, querido: nem você sabe o que espera do amor. Veja só, meu bem: nem você sabe que há amor de vários nomes,
E vários tipos,
E vários modelos,
E há amor que basta e há amor que se atrasa.

Por amor a gente casa. Junta. Permite. Separa. 
Haverá um amor rápido e sacana. Ele vai devorar o seu estômago e fazer loucuras naquela cama. 
Haverá, também, não muito depois... Um amor agitado: este precisará do seu afago. Um amor que vira e mexe sente dor e diz que precisou do seu calor. 
Veja só, meu dengo: reparou no que restou? Depois da discussão chata sobre a ligação não atendida. Depois do resto de comida deixada sobre a pia. Isso... Depois da atriz colombiana que você disse "eu comia", isso. Já sabe o que restou?
Somente, 
Silenciosamente,
Não tão inocente. Um pouco mais precisamente: o amor que une a gente. 

Embaralhado e relaxado,
Um amor que não nasceu por acaso.

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