Às vezes a gente só queria tá assistindo TV Globinho (Baú na Estrada)

quarta-feira, janeiro 11, 2017


Eu era criança e corria pela casa com o lençol amarrado na cabeça como se não houvesse amanhã e a qualquer momento fosse sair voando. Uma super heroína, a mais desastrada de todas, sempre fui. Lembro da minha mãe gritando comigo sobre como eu ia cair e me machucar, como sempre acontecia; você sabe, praga de mãe é pior que as do Egito. A gente perdia dentes e chorava com feridinhas na pele. Queria eu, hoje, ter como único motivo das lágrimas um joelho ralado. Quando a gente cresce a dor é diferente.

Você fica adulto e esperam de ti um diploma, um emprego, casamento, casa própria e centenas de decisões que nunca achamos que seria necessário tomar. Quando criança tudo o que tinha que fazer era a lição de casa, hoje a vida é a nossa lição e não há ninguém ensinando. Na infância o tempo são meros ponteiros no relógio e os dias são uns como os outros, a inocência dos sorrisos que não se perdem na estrada.

E no entanto, apesar da saudade, eu não voltaria no tempo. Você sabe, é uma delícia não ter hora pra acordar e apenas preocupar-se com o que vai acontecer no Sítio do Pica Pau Amarelo no episódio de hoje, mas quem eu seria sem cada pequeno (ou enorme) erro e arranhão feitos pelo caminho? As responsabilidades nos atolam, mas também nos fazem crescer. O meu quebra cabeça é formado por nostalgias e saudades; cicatrizes e amor compõem minha essência. Sem nunca quebrar a cara (no chão ou na vida) como saber que não somos invencíveis?

✎ Esse post faz parte do projeto "Baú na Estrada" em parceria com o Johnny, do Baú de Canto, no qual postaremos em quartas alternadas um texto de acordo com tema sugerido um para o outro. O texto dele dessa semana você pode ler clicando aqui!

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6 comentários

  1. Esse texto tá tão, mas tão gostoso! Li com um sorriso nos lábios de ponta a ponta!
    O primeiro parágrafo é tão <3
    A gente sente o gosto da inocência e fica saudosista.

    ''Sem nunca quebrar a cara (no chão ou na vida) como saber que não somos invencíveis?''

    Que vontade de te abraçar depois de ler isso. Você é foda!
    Escolhemos os melhores temas nessa semana <3

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    1. Tenho vontade de te abraçar sempre!!
      Você é sensa, obrigada por essa parceria nossa que é no blog e na vida!
      Escolhemos mesmo *-*
      <3 Mil beijos <3

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  2. QUE TEXTO LINDO!

    Eu me lembro que, quando criança, eu era capaz de acordar às 6h da manhã só para pegar os primeiros desenhos animados do dia, e, a partir de então, eu ia revezando na TV Globinho e no Bom Dia e Cia até por volta das 11h, haha!

    (Isso porque eu nem gostava de acordar cedo. Gosto menos ainda, atualmente. Tão pouco invencível sou que o sono me vence facinho, facinho...)

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    1. OBRIGADA! (perdoa a demora e não desiste de mim)

      AH nem me fala haha eu revezava também, porque tinha uns desenhos chatinhos que não queria assistir às vezes.

      Antigamente eu gostava de madrugar, hoje em dia, deu uma da manhã eu já to caindo de sono também haha.

      Mil beijos e muito obrigada pelo carinho!

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  3. Eu também sinto muita falta da infância que tive, das quedas, dos aprendizados e dos puxões de orelha que tomava de vez em quando. Mas a gente cresce e percebe o quanto mudou, o quanto amadureceu mentalmente e passa a ver a vida, as pessoas, o cotidiano e o mundo à nossa volta de um jeito diferente, né? Como você, eu sinto falta, mas não voltaria atrás. Como disse Clarice Falcão "se não fosse as minhas malas cheias de memórias e aquela velha história que tem mais de um ano, se não fossem os danos, não seria eu" . Sem cada dor, tristeza, choro, sorriso, momento, sol na cara, vontade de desistir, eu me perderia de mim mesma, de quem eu sou. A Selma de hoje depende de cada detalhe porque teve que passar. E quer saber? Eu não mudaria em nada do que ela se tornou.
    Obrigada por esse texto.
    Selma ♥

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    1. Sim, a gente cresceu tanto e eu não trocaria por nada a visão de mundo que tenho hoje pela que tinha antes.
      AAAAH e que citação maravilhosa essa da Clarice! Anotei pra não esquecer mais. E sim, cada detalhe nos fez exatamente quem somos.
      Obrigada por esse comentário maravilhoso.
      Mil beijos ♥

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