Por: Rebeca Maynart | 0 Comentário(s)

Medo


O que poucas pessoas sabem é que, quando eu era mais nova, sofria de um pavor que beirava desespero. Lembro-me de pensar que jamais atingiria certa independência pessoal, do tipo que a maioria das pessoas carrega consigo desde sempre, nas pequenas coisas, tão automáticas, que elas nem reparam; como ir ao banheiro sozinho ou dormir no próprio quarto. Estar em um cômodo desacompanhada era algo fora de cogitação, ficar em casa sozinha então, causava-me arrepios apenas o pensamento.

Os anos passaram. Dormir sozinha passou de um filme de terror para uma realidade (quase) frequente, embora os calafrios ainda visitem-me ocasionalmente. O Boneco Assassino (também conhecido como: Chuck) ficou no passado e o vilão do filme Pânico deixou de me assombrar. Os medos que eu pensei que me perseguiriam pelo resto da vida (ou a maioria deles) adormeceram num sono profundo bem longe de mim.

O que não fica claro de início é que quão mais nós crescemos, nossos temores vão diluindo-se e, como uma Fênix, dão vida a outros. Às vezes ainda piores. Quando criança, amedrontavam meu mundo, tal qual o conhecia, seres sobrenaturais e sombras escondidas nas paredes do escuro; adulta (ou algo assim), os fantasmas são outros, estes bagunçam minha mente e roubam meu sono.

Estes tiram meu sossego e confundem meus sentidos, oscilam meu humor. Disseram-me que apenas eu posso mandá-los embora, apenas eu, amedrontada, acuada, posso fazer isso parar. Pílulas diárias ajudam-me a controlar. Por vezes, metaforicamente, tapo os ouvidos, respiro fundo e exerço meu esforço abissal para arrancar-me da inércia (quase sempre vale a pena). Alguns dias são melhores do que outros. 

Alguns, eu apenas sinto.

Medo

de amanhã perder a vontade de me esforçar.

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