Por: Rebeca Maynart

Quase vazia


O clima não está dos melhores. Contudo, devo dizer que a brisa gelada e o céu esmaecido dão-me um certo conforto em relação ao desalento que me encontro, como se estivesse tudo bem a chuva cair lá fora e as lágrimas aqui dentro. Qualquer dor não incomoda mais, as aceitei como parte de mim agora, porque é tudo que eu sei sentir. É como eu me sinto viva, ou o oposto disso. Porque todos temos vazios e é assim que eu preencho os meus.

Prometi não me sentir mais assim, prometi te procurar para evitar atitudes estúpidas. Mas algo que você devia saber é que eu não sou de cumprir promessas. E a consternação é algo que eu carrego, desculpe, não dá para mudar algo tão intrínseco. Eu tento acreditar quando você declara seu amor, quando me conta palavras doces e diz sentir minha falta, mas nem sempre eu consigo. Desculpe por isso também, não é sua culpa minha falta de fé em mim ou em qualquer coisa.

Estou farta de escrever sobre como não me encaixo em lugar algum. Como todos os dias eu me sinto menos conectada a qualquer coisa, exceto você. [Sempre há um "você".] Sempre há juras de amor que não duram. A cada hora, um fio a menos me prende aqui. E com "aqui" eu não quero dizer apenas onde estou agora.

A falta de motivos sólidos para tamanha angústia só aumenta o paradoxo. Torna-o mais intenso. Quanto mais eu me afundo, mais difícil fica sair. Eu só queria sentir um pouco menos.

8 comentários:

  1. "A falta de motivos sólidos para tamanha angústia só aumenta o paradoxo. Torna-o mais intenso. Quanto mais eu me afundo, mais difícil fica sair. Eu só queria sentir um pouco menos." Não sou de comentar, mas hoje senti que deveria. Me identifico sempre com o que você escreve (ainda me pergunto se isso é bom ou não) e isso de certa forma faz com que eu me sinta melhor, então não precisa se desculpar por publicar esse texto, viu? Eu agradeço por ele. Também queria dizer que praticamente todos os dias entro aqui no seu cantinho, quando não tem texto novo releio os já publicados.

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    1. Muito obrigada pelo carinho, de verdade. Me sinto aliviada que você se identifica, é bom não estar sozinha. E saiba que você não está.
      Muito obrigada de novo ❤

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  2. ''[Sempre há um "você".] Sempre há juras de amor que não duram. A cada hora, um fio a menos me prende aqui.''
    É muito louco isso. É como se fosse uma necessidade sempre haver um ''você''. Para escrever, para instigar o sentimento (melancólico, principalmente). Depois de saciado, não resta. Os fios vão se soltando. Mas com o tempo a necessidade volta.
    Talvez repetir o você faça o texto que já teve um final duas vezes, ter um terceiro. Talvez inicie um novo.
    Sentimento de não pertencimento.
    Às vezes acho que sentir demais é a pior coisa que já me aconteceu. Outras, acho a melhor.

    Baú de Canto

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    1. Exatamente, John, é quase uma necessidade.
      Muito obrigada por sempre captar cada pedacinho do que escrevo ❤
      Mil beijos

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  3. Enquanto eu li, fiquei pensando o quanto parecia eu quem estava escrevendo esse texto, pelo fato de eu ter me identificado tanto. E no momento em que eu li, "sempre há um você", foi tipo um tapa na cara. Que dizia; não tenha dúvida que esse texto é muito a sua cara.
    https://domvisconde.wordpress.com/

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    1. Ah, então junte-se ao clube ❤❤ Fico feliz que tenha se identificado (que egoístaaa da minha parte, visto que é um texto tão deprê, desculpe por isso).
      Muito obrigada pelo carinho, mil beijos!!

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  4. Que texto maravilhoso <3,não está nada horrivel minha linda rs. Achei o seu blog lá no ''Caligrafando-te'' e amei simplesmente. sucessos!!!!
    http://aspoesiasdananda.blogspot.com.br/

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    1. Ahhhh que linda, muito obrigada ❤❤
      Fico feliz que tenha gostado, mil beijinhos e bem vinda!

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