Por: Rebeca Maynart

Como nós nos conhecemos

quarta-feira, setembro 09, 2015

Ele estava lá, bem na minha frente na fila do Café que eu ia todos os dias antes da aula na faculdade. Eu estava observando sua nuca, o pé do cabelo feito e a pele vermelha de um provável fim de semana na praia, quando escutei o moço atrás do balcão pacientemente perguntar pela segunda vez o que eu ia querer.

"Um cappuccino de ovomaltine e um cookie de chocolate, por favor.", pedi pouco antes de desviar o olhar ainda na nuca bronzeada do rapaz. Recebi o pedido e sentei em um dos assentos distribuídos em frente ao balcão, coincidentemente perto dele. Seu cabelo era preto e visivelmente cortado na máquina um (exatamente como eu gosto). Ele não era o tipo alto que você fica na ponta dos pés para beijar, mas, quem sabe, uns dois centímetros a mais que eu. Seus olhos, eu pude ver quando se virou casualmente, carregavam um castanho que não decidia-se entre o claro e o escuro; imaginei que ele fosse assim também, indeciso. Talvez por isso comprara um donut de cada sabor. 

Ele não era como os caras daqueles comerciais de perfumes caríssimos masculinos - se bem que com aquele cheiro, ele bem que podia ser, tampouco fazia o estilo surfista pronto para pegar umas ondas (ou você); estava mais para um rockeiro que subiria numa super moto com seu casaco de couro (quando não estivesse tão quente) a qualquer momento. Ou não. Ele não parecia se encaixar em nenhum estereótipo, e não se encaixava.

Em algum instante, ele sorriu para mim e depois riu meio bobo, quando percebeu que eu não notara. Droga! Eu estava o encarando! Queria guardar todos os seus detalhes para escrever sobre ele depois, exatamente como estou fazendo agora. O tal garoto com a blusa de um panda com tapa olho me estendeu a mão e perguntou meu nome. Concluí que ele beijava muito bem pelo modo que seus lábios se moviam; devo me gabar que estava mais que certa. Talvez por isso sua boca é a única que eu venho beijando há tantos anos.

11 comentários:

  1. Texto lindo, Rebeca! Simplesmente amei o final, super inesperado - exatamente como acontece na vida real - e lindo. <3
    Beijos.

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  2. Texto maravilhoso Beca, sempre quando acho que você não pode mais surpreender, você vai e faz o contrário. Amei. <3

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  3. Você e seus que vive me arrancando suspiros.

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  4. Oii Rebeca!! "coincidentemente" seeeeeeei! HAHAHAAH Adorei o teu texto. ele 'e leve e simples e nos transmite uma sensacao de primavera (nao sei descrever de outro jeito). Alem de que, voce descreve o dia a dia muito bem. Masss viiiu, espero ler mais textos sobre o menino de camiseta do panda aqui.. porque pelo que voce descreveu ali, eu fiquei curiosa! HAHAHA Beijinhos

    http://www.verdadeescrita.com/procura-se-um-pa/

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    1. Haha, você captou meu "coincidentemente"! Ah, muito obrigada, Beca, primaveras são sempre maravilhosas. Vou escrever mais sim, matar sua curiosidade, haha. De novo, obrigada pelo carinho <3
      Beijo

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  5. Você conduz com maestria a medida exata de descrição das coisas, e usa uma linguagem poética que me identifico demais. É realmente difícil me sentir genuinamente interessado em ler textos assim. Não porque eu não goste, muito pelo contrário, mas porque geralmente a linguagem não me agrada, ou as retratações, os desfechos.
    Esse texto todo amor com esse final que surpreende te faz acreditar. Você escreve muito bem!

    Beijos!

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    1. Johnny! Eu sempre fico muito feliz quando você aparece! Muito obrigada pelo carinho, fico encantada que você goste do que escrevo tão sinceramente e que se identifique também!
      <3

      Um beijo

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    2. hahaha que bom! Vai me ver bastante por aqui ainda!

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