Por: Rebeca Maynart | 0 Comentário(s)

Pesadelo

domingo, fevereiro 22, 2015

O chão sob meus pés desmorona enquanto corro, a cada passada sinto como se viesse a ser a última. Os olhos, secos, e por maior que seja a vontade de chorar, eles secaram há muito tempo. Corro sozinha, o asfalto transformou-se rapidamente em areia e agora ela sobe enquanto movimento os pés agilmente, tudo ainda está desmoronando. Não há mais nenhuma parede suspensa, apenas restos de construções abandonadas caindo para o vazio infinito, como se esse buraco negro fosse parte de mim. O vestido branco que eu não notei que estava usando, arrastava-se pelo chão e perdia a cor sempre que olhava para ele, cada vez mais negro, até que fiquei parecida com uma águia. Mas eu nunca soube voar mesmo.

O chão, de repente, parou. Parecia apenas terra sob mim, não algo vivo caindo para o nada. Então ele despencou novamente, por inteiro, e eu me vi numa queda sem fim, até o infinito, direto para morte.
Fotografia: Anna Williams

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