Tempo, substantivo próprio

sábado, julho 26, 2014


Estou naqueles dias que sentimos que perdemos a mão da escrita da nossa história. Meio desleixada, esquecida em algum canto da casa como um móvel, assistindo ao Tempo passar. Ele desfila para lá e para cá, por vezes me olha com desdém, então se põe a rebolar os quadris novamente a cada passada. Ele é cruel, te suga como o beijo de um dementador, arrancando-lhe os anos de ouro, deixando em troca lembranças, saudade e rugas. As cicatrizes também, ora!, não fora ele mesmo que curara suas feridas? "O Tempo é o melhor remédio", é o que dizem.
Ele, por vezes, não se contém em andar e parece estar competindo nos 100 metros rasos, você mal pode vê-lo de tão veloz. Um egoísta nato, leva tudo consigo, os sonhos, desejos, ambições e tudo que parecia ser eterno, não dura. O que ontem ficou para hoje, amanhã já não importa mais. Os minutos que em algum momento farão falta, já se foram. 
Isso tudo para dizer que concluí, afinal, que ficar presa ao que foi levado por ele não o fará trazer de volta. Futuro o aguarda e, seja como for, é melhor não se atrasar, porque o Tempo, bom, ele não espera.

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