Por: Rebeca Maynart

Alguém como eu


Seus passos eram desengonçados e inseguros, suas pernas pareciam que iriam ceder a qualquer momento, e cediam, na verdade, nas piores horas. Matava o tempo aparando as pontas do cabelo como se a cada minuto elas crescessem significadamente e ficassem completamente tortas e irregulares, como se não já não fossem curtos o bastante. Sem falar da sua mania irritante de cantarolar pelos cotovelos, embora nem soubesse cantar. Ela tinha aqueles olhos castanhos e machadianos, olhos de cigana oblíqua e dissimulada, de ressaca.  O sorriso, quisera que não fosse a única coisa que gostasse em si própria, mas era. Um nariz que definitivamente não deveria estar lá, tal como alguns quilos que ela desejava todo o tempo que desaparecessem. Em seu pé, um tênis surrado e na sua mão, um anel especial. Contudo, ainda que dito tudo isso, nada importava para ela, exceto, sua essência, e isso não podia ser visto na sua aparência. 
Texto para o desafio "642 coisas sobre as quais escrever": Descreva a sua aparência física (na terceira pessoa), como se você fosse uma personagem de livro.".

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