POEMA | Plutarco me chamou de Teseu

Poemo alegorias para contar
Que holograma ilusionista
Substitui a capitã do navio
a nau
fra
  gar

Que terrível existência
Dessa alma sem lar
Em sagrada clemência
Corpo caído ao mar

Retornou
O outro pedaço emendado de mim
Sustentado em um corpo de madeira
Sorriso de diamante, trajado em cetim

Pediu-me com gentil letargia
Se podia voltar a habitar
A casa que o condenara
À sentença perpétua de vagar

Guardada a tempestade,
Havia tempo para negociação
Dividir as duas partes
Ou render-se à inevitável colisão

O pedaço de madeira não tinha mais tanta força
E o holograma sem vida não tinha nada a perder
Dentro daquele convés
Cabia aos dois sobreviver

Coexistiram até o próximo temporal
Os dois fragmentos meus que restaram
E reconstruíram o estrago visceral

Numa obra inédita
De reparos no casco de carvalho
Renasceu, à suntuosa luz da lua,
A carne, sob o primeiro orvalho.

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