Por: Rebeca Maynart | 0 Comentário(s)

A 5ª Temporada de Black Mirror é Meio Idiota

quinta-feira, junho 06, 2019

A quinta temporada de Black Mirror estreou ontem (05/06), na Netflix, e seus anúncios já vinham elevando as expectativas e deixando o público ansioso pelo soco no estômago que a série costumava ser. Costumava, no passado, porque desde a decepção da quarta temporada e suas tramas rasas, Black Mirror tornou-se um Inception de si mesma.

Os primeiros episódios da série chocaram e cativaram o público por sua temática obscura e satírica da tecnologia e como lidamos com ela. Era difícil de digerir, era ácido e repulsivo. A indagação era inerente e involuntária, indispensável ao fim de cada episódio.

Depois que a Netflix comprou seus direitos, no entanto, Black Mirror tomou um rumo completamente diferente. É evidente a discrepância entre episódios como White Bear (2x2) e USS Callister (4x1), ao passo que o primeiro choca, impacta e te joga no colo uma bomba de coisas para repensar sobre a humanidade, e o segundo é um enredo pop e divertido para passar o tempo. Claro que tudo isso é compreensível, já que política do serviço de streamming Netflix é manter o telespectador assistindo pelo maior tempo possível, fazendo-o maratonar insaciavelmente; o que seria uma tarefa impossível se o seriado mantivesse o mesmo segmento, além de que, manteria o público restrito. A nova abordagem, contudo, vem com apelações emotivas, cortes rápidos, personagens mais relacionáveis e script mastigado para não deixar nenhuma dúvida daquilo que foi visto na tela. Nenhuma reflexão.

A quinta temporada veio para jogar uma pá de terra em cima daquilo que Black Mirror um dia tenha sido. 

Bom, quanto aos episódios, vamos lá à minha breve análise de cada um:
PS: AVISO DE SPOILERS A PARTIR DAQUI.

5x1 Striking Vipers


Mais um episódio sobre jogos para a coleção. Mais um "easter egg" usando o mesmo aparelho de realidade virtual que o episódio 4x1. Para ser sincera, eu gostei da história contada, não do episódio. Veja bem, há um abismo entre: um bom episódio de black mirror X um bom plot que não tem nada a ver com a série, e é exatamente o que acontece aqui (e com todos os episódios desta temporada). É um episódio sobre as questões da monogamia e formas de se relacionar. Ponto. É divertido de assistir, tem uma fotografia legal, tem umas cenas bonitas e é isso. Ah, e tem uma cena no Viaduto do Chá em São Paulo, completamente aleatória e não tem nada a ver com o contexto, se você não conhece o lugar, provavelmente nem notaria.

5x2 Smithereens



Crítica ao Facebook, aplicativos viciantes e blablabla. Sobre como a gente fica tão viciado que não podemos deixar de olhar por um segundo para uma notificação. Chantagem emocional ao extremo para você gostar do personagem principal, além de uma versão super adorável e coitada de Mark Zuckerberg e um monte de drama conveniente. Tudo é conveniente aqui. O episódio trata o espectador como se ele fosse meio burro e não deixa espaço para interpretação, é tudo dado de bandeja e bem clichê também, como algo que você já viu mil vezes (inclusive na própria série). É legal e eu amo o Topher Grace desde That 70's Show, só que, novamente: não é um episódio de Black Mirror só porque envolve um aplicativo, meu deus.

5x3 Rachel, Jack e Ashley Too


Eu estava ansiosa por este, porque temos ninguém menos que Miley Cyrus. O que eu não sei mais se foi um ponto positivo, já que sua personagem (Ashley O) é simplesmente ELA MESMA. O episódio parece um fucking filme adolescente de sessão da tarde! (alô, "Pixel - A Garota Perfeita") Se você tem até uns quatorze anos, vai achar o máximo. Entretanto, se você é um adulto, boa sorte. A conveniência novamente incomoda e os vilões são quase caricatos (a tia do mal de uma garota orfã com capangas burros). Eu gostei, mas eu amo filmes ruins adolescentes e este está mais para um enredo Disney Channel com palavrões, do que um episódio de Black Mirror. ~ meu deus o final parece o de uma sexta feira muito louca ~

É isso, eu acabei de assistir os três episódios em sequência e senti a necessidade de falar sobre eles. Se você gostou, it is okay darling, eu gostei também ~isoladamente~. Ah, e fica a vontade pra me contar suas considerações.

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